David Foster Wallace e a TV

David Foster Wallace com sua cachorra, Bella

Ultimamente veio tendo uma preocupação que a outros pode parecer preciosismo, frescura ou mesmo uma dificuldade para aceitar um caminho sem volta: refiro-me ao uso de telas (TVs, tablets, smartphones etc.), principalmente por crianças. Vira e mexe leio algo a respeito em livros e artigos. O que venho aprendendo: que seu mal uso prejudica o processo cognitivo, especialmente dos mais jovens. Resumidamente: consumir telas pode emburrecer ou mesmo adoecer as pessoas.

É justo apontar uma tênue diferença entre a televisão e a internet (essa diferença já está borrada com a chegada das smart TVs e plataformas de streaming): o conteúdo do televisor nos é transmitido, e só nos cabe escolher qual programação acompanhar. Já na internet é possível buscar o que nos causa interesse; ou seja, exige de nós uma postura mais ativa. Porém, é fácil se perder em meio às trocentas páginas disponíveis se não tivermos foco. Isso sem falar das redes sociais, que podem roubar um tempo precioso ou mesmo serem fontes de ansiedade, depressão e adicção. Portanto, a apreensão quanto ao uso de telas permanece.

Um dos escritores americanos mais cultuados da atualidade inclusive optou por não ter uma TV. Estou falando de David Foster Wallace (DFW), autor de “Graça Infinita” e de outras obras repletas de referências e notas de rodapé. A opção de Foster Wallace de ser alguém sem televisão se deu ao fato de o escritor ver o entretenimento televisivo como algo alienante a ser consumido compulsivamente. Ele temia que caso tivesse uma TV, não conseguisse se dedicar ao seu trabalho.

Após décadas sofrendo de depressão, ele acabou se matando em 2008, aos 46 anos. DFW foi a voz de uma geração. Muitos se reconheceram em seus livros que abordam, entre outros temas, o tédio, o vício e o consumo excessivo a que todos nós somos incentivados por meio da propaganda e demais modos de persuasão.

Fico imaginando o que David pensaria e escreveria sobre o desenfreado e, arrisco a dizer, onipresente uso e abuso das telas em seus variados formatos nos dias de hoje. Certamente não seriam elogios.

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